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Confira hoje a entrevista com o especialista Dr. João Nicoluzzi sobre o transplante de fígado. Conheça como é realizado o procedimento, as principais indicações, cuidados e dificuldades atuais. Você também pode acompanhar o vídeo dessa entrevista clicando aqui.

Quais são os resultados atuais do transplante de fígado?

Dr. João Nicoluzzi – Os resultados atuais do transplante de fígado, ou transplante hepático, são muito bons. O transplante de fígado, nos últimos anos, passou de um procedimento experimental para um dos melhores resultados de todos os tipos de transplantes de órgão. Sem dúvida alguma, o resultado do transplante de fígado atual é o motivo de haver tantos centros de transplante no mundo e, de certa forma, do aumento de filas de pessoas na espera de um órgão, dado o excelente resultado que ele tem.

Quais são as principais indicações?

Dr. João Nicoluzzi – O transplante de fígado é indicado para o cirrótico que tenha problemas causados pela cirrose. Ou seja, não basta ser cirrótico; a doença deve causar descompensações do tipo:

  • ascite, que é a água que se acumula no abdômen;
  • tumores chamados hepatocarcinomas, no máximo três nódulos e nenhum deles maior do que três centímetros;
  • hemorragias digestivas pela boca;
  • eventualmente, contaminação desse líquido ascítico.

Então, o cirrótico com estes problemas é o paciente que tem indicação de transplante de fígado. Se o paciente apenas for cirrótico, vivendo bem, sem nenhuma restrição ou limitação por causa da cirrose, deve simplesmente fazer um acompanhamento.

Pode ser utilizado no tratamento do câncer?

Dr. João Nicoluzzi – O transplante de fígado pode ser usado em casos específicos de câncer. Existem tumores que nascem no fígado por causa da cirrose, os quais se chamam hepatocarcinomas, e existem critérios para indicar transplante nesses pacientes. Os principais critérios são haver no máximo três nódulos, nenhum maior do que três centímetros, sem trombose da veia que leva sangue ao fígado (veia porta), e sem nenhum outro foco fora do fígado. Atendendo a todas essas condições, o resultado do transplante de fígado é muito bom.

Como funciona a fila para o transplante?

Dr. João Nicoluzzi – A fila do transplante de fígado, hoje em dia, segue critérios internacionais. São os chamados MELD, que através da análise de diferentes exames de sangue avalia a real situação do paciente. Hoje em dia, quem estiver mais grave, transplanta primeiro; antigamente, era por tempo de lista. Existem situações em que um paciente entra na fila hoje, por exemplo, na frente dos outros porque tem uma nota (chamada MELD) maior. Então, o critério de gravidade é a forma que posiciona o paciente na fila, e isso é extremamente fiscalizado pelas diferentes centrais de transplante.

Quais são os cuidados depois do transplante?

Dr. João Nicoluzzi – O paciente que faz transplante de fígado, mesmo o transplante de qualquer outro órgão, necessitará de medicações para evitar a rejeição. Essas medicações diminuem a imunidade do paciente, e ele tem um risco maior do que outras pessoas de adquirir algum tipo de infecção. Então, os maiores cuidados que quem faz transplante de fígado precisa ter, seriam evitar alimentos crus, contato com animais, para diminuir o risco de infecções. Deve-se evitar contato também com multidões, até o período em que a sua imunidade melhore, porque depois de alguns meses o médico tende a tirar alguns desses remédios e manter geralmente apenas 1. Com este, quando chegar nessa fase, o paciente fica em uma situação muito mais segura no sentido de evitar alguma infecção.

Quais são as principais dificuldades do transplante?

Dr. João Nicoluzzi – As principais dificuldades do transplante de fígado, hoje em dia, é a quantidade de órgãos para atender à demanda de pacientes. Existem muitos pacientes cirróticos com indicação de transplante. Foram inventadas diferentes técnicas para melhorar isso, ou seja, um fígado de cadáver ser dividido em dois para atender duas pessoas, ou o doador vivo familiar (até dois doadores vivos para atender uma pessoa). Este último foi feito no Brasil apenas uma única vez, pela nossa equipe do Hospital Angelina Caron, que é um dos centros com referência nacional, com os melhores resultados do Brasil.

Dr. João Nicoluzzi

Médico especialista em cirurgias e transplantes de fígado, pâncreas e vias biliares.

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