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Confira abaixo entrevista com o Dr. João Nicoluzzi sobre transplante de pâncreas. Conheça as principais indicações, como é realizado o transplante e seus resultados finais. Assista a entrevista aqui.

Quais são as indicações para o transplante de pâncreas?

Dr. João Nicoluzzi – O transplante de pâncreas tem indicações muito precisas. É muito claro que a maior parte dos pacientes diabéticos juvenis ou tipo 1 têm como opção as bombas de insulina e a dieta. Com este controle geralmente esses pacientes evitam muito bem as complicações secundárias por muitas décadas, então é muito importante que se mantenha esse cuidado. O transplante de pâncreas é para um grupo restrito de diabéticos nos quais, infelizmente, as complicações secundárias evoluíram. A diabetes é uma doença que, além do descontrole da glicose, também leva, com o passar dos anos, a lesões nas microartérias dos olhos, dos rins, do coração e dos membros. Leva também a complicações nos nervos, principalmente das extremidades das mãos e pés. Então, pacientes que tenham complicações secundárias avançadas da diabetes são os que vão para transplante de pâncreas, com o objetivo de não deixar que essas complicações evoluam ainda mais.

Como é realizado o transplante de pâncreas?

Dr. João Nicoluzzi – O transplante de pâncreas é feito através de um doador, uma pessoa que falece (geralmente de um acidente) e está na faixa de 18 a 45 anos. É removido desse doador todo o seu pâncreas, e esse órgão inteiro é implantado próximo à bexiga do receptor, nas chamadas veias ilíacas e artéria ilíaca. Não se mexe no pâncreas da pessoa que recebe. A pessoa continua com o seu pâncreas e acrescenta-se um novo nessa região para que ele comece a produzir insulina, e bloqueie a evolução das complicações secundárias da diabetes. A maior parte dos pacientes faz, junto com o transplante pancreático, um transplante de rim, porque a diabetes costuma lesar este órgão, muitas vezes levando-o à diálise. Para que ele saia da diálise, faz-se o transplante de rim e, no mesmo ato, o pancreático para que a diabetes não volte a agredir o rim transplantado. Portanto, a forma mais comum de transplante de pâncreas é feita perto da bexiga, e é uma associação entre este órgão, de um lado, e rim do outro. Isto para que um tenha o objetivo de tirar o paciente da diálise e outro de curar a diabetes naquele momento, e proteger esse rim transplantado da diabetes. Essa é uma entrada mais comum, e é chamada de transplante de rim-pâncreas.

Pode ser realizado em qualquer idade?

Dr. João Nicoluzzi – O transplante de pâncreas sozinho, ou junto com o rim, deve ser feito geralmente a partir dos 20 anos na pessoa diabética que tenha problemas renais. Pode ser realizado no máximo em torno de 50 anos, porque geralmente o paciente diabético nessa faixa etária tem muitas complicações cardíacas que impedem a cirurgia.

Quais são os resultados?

Dr. João Nicoluzzi – Os resultados do transplante de pâncreas junto com o rim são muito bons. São pacientes que têm uma melhora muito boa da qualidade de vida, por não fazerem mais diálise e não terem mais as restrições da diabetes. São transplantes que podem durar por muitos e muitos anos, com excelente funcionalidade.

Qual a sua mensagem final?

Dr. João Nicoluzzi – A minha mensagem final é que o melhor tratamento para a diabetes tipo 1 é o cuidado do paciente, o cuidado com a insulina, e a atenção a tudo que o médico endocrinologista lhe aconselha. O diabético bem cuidado muito raramente chega ao transplante de pâncreas. Esse transplante é um tratamento público muito restrito de pacientes, mas que se beneficiam muito. Ele não é uma alternativa para parar de tomar a insulina, é uma alternativa para as complicações secundárias da diabetes. Portanto, os pacientes que têm complicações graves, de anos de diabetes, são os que nos procuram para o transplante de pâncreas, geralmente associado ao rim. Então, a minha mensagem final é: cuide-se muito bem, tome sua insulina direito e faça a dieta orientada. Muito obrigado.

Dr. João Nicoluzzi

Médico especialista em cirurgias e transplantes de fígado, pâncreas e vias biliares.

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